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necamachado
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10/31/2006 5:38 am

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10/31/2006 5:48 am

DR. ALEXANDRE VAZ TAVARES

DR. ALEXANDRE VAZ TAVARES

Alexandre Vaz Tavares, ERA FILHO DE Antonio Tavares e Florinda Ferreira Vaz Tavares.

Nasceu em 08 de agosto de 1858 em Macapá, e FALECEU EM 03 DE ABRIL DE 1926.

Formou-se em medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro em 10 de setembro de 1884, com a tese inaugural sobre “SÍFILIS CONGÊNITA”.

Foi republicano histórico segundo relato de alguns amigos, dentre eles: Acilino de Leão, onde destingiu-se no advento do regime, escrevendo a letra do HINO REPUBLICANO PARAENSE.

Segundo o Dr. Elias Viana, ALEXANDRE VAZ TAVARES fôra o “nosso ROUGET DE LISLE”

Foi nomeado professor de física e química da Escola Normal e eleito deputado estadual. Em 1894, no primeiro governo Lauro Sodré, exerceu a função de diretor da Instrução Pública.

Em 1916 foi nomeado médico da saúde publica e no segundo governo Lauro Sodré foi diretor do Ginásio Paes de Carvalho em 1918.

Foi designado, em 1922, prefeito municipal de Macapá.
De seu ESTRO POÉTICO, escreveu uma homenagem ESPECIAL A CIDADE DE MACAPÁ.

A poesia MACAPÁ.

Poesia: MACAPÁ

Autor: ALEXANDRE VAZ TAVARES

Na esquerda margem selvosa
Do Rio-mar, o Amazonas,
Pensativa e descuidosa
Como essas gastas madonas
Das noites de bacanal,
Descansa da actividade
Dos anos, na nova idade,
A minha amada cidade,
Minha cidade natal.

Para Leste orientada,
Em face encara o Nascente,
De onde lhe envia a Alvorada
Um beijo róseo-nitente
Em cada raio de Sol.
À noite, a Lua de prata
Fios de perolas desata
Por entre a florida mata
Onde dorme o rouxinol.

Ao Oiapoque, o guiano,
Vão seus solos marginais,
Que se prolongam, no plano
Na das divisões boreais,
Em serras em alcantil.
A Oeste, vastas campinas,
Amplo tapiz de boninas,
com pingues raças bovinas,
Riquezas e encantos mil.

Por atalaia gigante
Ou por sinal de defesa,
Do granito mais possante
Levanta uma FORTALEZA
Negras muralhas ao Sul.
Outrora, adornadas de aço,
Faziam troar o espaço
Dos canhões seus co o fracasso,
No vasto horizonte azul.

Outrora, quando ascendia
Sobre aquela grimpa ingente,
Entre os sons da artilharia
O pendão aurifulgente,
O auri-verde pavilhão;
Trajava a cidade inteira
Alva roupagem faceira,
Pela data brasileira,
Ou festa de devoção.

Então, que alegre não era
Ver-se o lêdo rodopio,
Em manhãs de primavera
Ou nas tardinhas do estio,
De um povo em festa a folgar:
Moças, com laços de cores,
Raparigas com mil flores,
Rapazes buscando amores...
Tudo era rir e brincar!

Hoje... Lá jaz o colosso
Quase em total abandono,
Formando quase um destroço
Na triste mudez do sono
Do desprezo mais cruel.
É correção de soldados,
É presídio de forçados,
É terror de condenados
De criminosos, quartel.

Hoje o bronze já não salva
Da gallharda bateria,
Quer assome a Estrela d’Alva,
Quer venha a findar o dia.
Não fosse a luta feral
Do Rio-mar com a procela,
Ou os brados da sentinela
Quando, acaso, a noite vela,
Fora tudo em paz mortal...

...................................................................................
Maldito! Maldito seja
Vezes mil um tal Governo
Que insaciável deseja
Céus e terra e até o averno
Desfeitos em ouro só!...
Maldito, porque os legados
Dos nossos antepassados,
Em vez de serem zelados,
São desprezados sem dó!

Sim! Maldita a Monarquia,
Aleijão dos privilégios
Que cegamente confia
Aos fátuos caprichos régios
A sorte de uma Nação.
Ao sistema – imperialismo,
Ao torpe maquiavelismo
D’El-Rei Senhor – Egoísmo,
Maldição! Sim, maldição!...

Dorme, Cidade, e em teu sono
Sonha os fulgores de outrora...
Veneza já teve um trono,
Já foi dos mares senhora
E as nações já leis ditou:
Mas, hoje... ei-la: descansa,
Rememorando a pujança
Do fastigio, que a mudança
Dos tempos lhe arrebatou...

Dorme!... Tens aos teus pés prostrado
O Rio-mar, bardo eterno,
Que entoa sempre inspirado
Ora, o canto mais galerno,
Ora, os hinos do tufão...
Dorme aos sons das cavatinas
Das aves entre as cortinas
Dessas florestas divinas.
De teu risonho sertão!

(Agosto de 1889, MACAPÁ- (PARÁ)

ALEXANDRE VAZ TAVARES FOI O PRIMEIRO CANTOR de uma cidade chamada Macapá, segundo Acilino de Leão.